O Velho e o Mar

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O VELHO E O MAR Ernest Hemingway Para ter acesso a outros títulos libertos das criminosas convenções do mercado, acesse: www. sabotagem. cjb. net Esta obra foi digitalizada, formatada e revisada pelo Coletivo Sabotagem. Ela não possui direitos autorais pode e deve ser reproduzida no todo ou em parte, além de ser liberada a sua distribuição, preservando seu conteúdo e o nome de seu autor. Autor: Ernest Hemingway Título: O Velho e o Mar Tradução: Heloise Gois Data da Digitalização: 2004 Data Publicação Original: 1999 Era um velho que pescava sozinho num esquife na Corrente do Golfo, e saíra havia já por oitenta e quatro dias sem apanhar um peixe. Nos primeiros quarenta dias um rapaz fora com ele. Mas, após quarenta dias sem um peixe, os pais do rapaz disseram a este que o velho estava definitivamente e declaradamente *salão*, o que é a pior forma de azar, e o rapaz fora por ordem deles para outro barco que na primeira semana logo apanhou três belos peixes. Fazia tristeza ao rapaz ver todos os dias o velho voltar com o esquife vazio e sempre descia a ajudá-lo a trazer as linhas arrumadas ou o croque e o arpão e a vela enrolada no mastro. A vela estava remendada com quatro velhos sacos de farinha e, assim ferrada, parecia o estandarte da perpétua derrota. O velho era magro e seco, com profundas rugas na parte de trás do pescoço. As manchas castanhas do benigno cancro da pele que o sol provoca ao refletir-se no mar dos trópicos viam-se-lhe no rosto. As manchas iam pelos lados da cara abaixo, e as mãos dele tinham as cicatrizes profundamente sulcadas, que o manejo das linhas com peixe graúdo dá. Mas nenhuma destas cicatrizes era recente. Eram antigas como erosões num deserto sem peixes. Tudo nele e dele era velho, menos os olhos, que eram da cor do mar e alegres e não vencidos. - Santiago - disse o rapaz, ao virem da praia para onde fora alado o esquife. - Posso tornar a ir contigo. Já ganhamos algum dinheiro. O velho ensinara o rapaz a pescar e o rapaz gostava muito dele. - Não - respondeu o velho.- Andas num barco de sorte. Fica com eles. - Mas lembra-te de como saíste oitenta e sete dias sem peixe, e depois apanhaste só grandes, todos os dias, três semanas a fio. - Lembro - disse o velho. - Bem sei que não me deixaste por duvidares. - Foi o papá quem me mandou. Sou um rapaz pequeno e tenho de lhe obedecer. - Bem sei - disse o velho. - É assim mesmo. - Não têm grande fé... - Pois não. Mas nós temos. Então não temos? Temos - respondeu o rapaz. - Posso pagar-te uma cerveja no Terraço e depois levamos a tralha para casa? - E porque não? - disse o velho. - Entre pescadores! Sentaram-se no Terraço e muitos dos pescadores fizeram troça do velho e ele não se zangou. Outros, dos pescadores mais velhos, olhavam-no e ficavam tristes. Mas não o mostravam e falavam atenciosamente da corrente e dos fundos a que haviam deitado as linhas e do bom tempo firme e do que tinham visto. Os pescadores de sorte nesse dia já lá estavam e tinham aberto os grandes peixes e tinham-nos trazido ao comprido em duas tábuas, com dois homens atrapalhados à ponta de cada tábua, até à pescaria onde esperariam pelo caminhão frigorífico que os levaria ao mercado de Havana. Os que haviam pescado tubarões tinham-nos levado à fábrica, do outro lado da enseada, onde eram içados com um cadernal, e lhes eram extraídos os fígados, cortadas as barbatanas, esfoladas as peles, e a carne feita em postas para salgar. Quando o vento era leste um cheiro da fábrica atravessava o porto; naquele dia, porém, só a vaga memória de um odor vinha, porque o vento rondara ao norte e caíra, e...

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